Não há milímetro em ti que não subverta a minha gravidade.
Eu te ouço entoar melodias e o meu riso emerge como um reflexo involuntário,
um misto de reverência e aconchego.
Habitar os teus versos é o único lugar onde o mundo finalmente faz sentido.
Eu te contemplo através desse olhar rendido,
olhos que já te transcrevem no centro do peito
e que te guardam na sacralidade da minha alma silenciosa,
abrigando a tua matéria e vislumbrando a tua beleza.
Não falo apenas da harmonia visível aos olhos,
mas da arquitetura da tua alma.
Essa essência que me faz suspirar a cada toque,
que me despe de todas as armaduras do tempo
e me devolve a frescura de um menino.
Um menino bobo, perplexo e irremediavelmente apaixonado.
Você acolhe a minha alegria sem notar o poder que exerce.
Faz com que a minha pele clame pela tua proximidade,
como quem busca o sol no inverno.
Quando a distância se impõe, a saudade não é apenas falta;
é um exílio que desbota os meus dias.
Mas compreendo que esse vazio é apenas o meu ser solicitando a tua imanência.
É a urgência de colidir contra o teu peito,
de resgatar o sabor do teu beijo,
e de enlaçar o teu corpo ao meu,
até que as fronteiras entre nós deixem de existir.