Poesia

O Catálogo das Tuas Estações

Eu não busco apenas o teu centro;
eu quero as tuas bordas, os teus vãos, os teus desvios.
Não me basta a superfície onde o sol bate e te faz reluzir,
eu anseio pela penumbra de quem você foi antes de me conhecer.

Diga-me: quantas vezes você precisou se reinventar para sobreviver ao mundo?
Porque eu me declaro o curador de todas as tuas fases,
disposto a amar o homem que você é hoje,
mas também o menino que ainda se esconde no teu cansaço.

Quando você é rocha, escudo e prumo, eu sou o porto que te celebra a coragem.
Quando o mundo pesa e a tua voz é apenas um sussurro que pede trégua, eu sou o silêncio que não te julga, o repouso que não te cobra pressa.
Quando o riso escapa como um alento e a vida parece simples, eu sou o eco que amplifica a tua alegria.

Aquilo que você chama de cicatriz, eu chamo de escritura.
O que você esconde como defeito, eu enxergo como a chancela da sua raridade.
Não há fragmento teu que me cause espanto,
pois não amo apenas a tua harmonia; eu amo o teu caos,
a tua finitude e a forma como você insiste em ser real em um mundo de vidros falsos.

Se o tempo te marcou, que essas marcas sejam o nosso mapa.
Se a vida te exigiu mil faces, eu amarei cada iteração da tua alma.

Não importa o terreno, a estação ou o desgaste.
Eu não sou visita no teu jardim; sou raiz.
Eu permaneço, imperturbável,
dedicado ao ofício de te amar por inteiro,
em cada sombra, em cada luz,
em todas as versões que você ousar ser.

Rony Welry Rony Welry Autor
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