Eu estava aqui pensando, sabe?
Enquanto encarava a imensidão dos teus olhos
E se eu deixasse escapar, do nada, um "te amo"?
Sem intenção nenhuma, sem o cálculo das consequências.
Imagine que ele simplesmente transbordou,
como um copo que ignora a gravidade, cheio,
independente de mim, alheio à minha vontade.
E por hora, gostaria que você me retirasse dessa atitude.
Esqueça que essas palavras saíram da minha boca;
pense nelas como um fenômeno da natureza,
algo que apenas é.
Eu não tenho culpa de te amar,
e por favor, não me dê o crédito por isso.
É um amor que escreve seu próprio texto,
uma nota fiscal de um produto que você já possui, mas não precisa pagar.
Não é um convite, nem um pedido de mudança.
É apenas um comunicado, um recado perdido
Uma nota de rodapé na página do seu dia.
É um "te amo" desprovido de caos.
Sem definições, sem a urgência de um rótulo,
sem a poeira que as grandes declarações costumam levantar.
É um amor tão cru e realista que chega a ser invisível.
É um lembrete, como quem avisa que vai chover:
apenas para você se prevenir, ou não.
Eu te amo, mas não fala nada.
Guarda esse segredo como quem guarda um bilhete antigo no bolso.
Não precisa me responder, não precisa me olhar diferente.
Que coisa mais vazia seria amar esperando o troco, né?
Mas o fato é que eu não faço questão de reciprocidade;
o meu amor se basta no ato de existir.
Seguiremos como se nada tivesse sido dito,
como se o mundo não tivesse mudado um milímetro.
Deixo aqui o meu atestado, por escrito e sem rasuras.
Uma confissão declarada para o vento,
assinada por este que te ama,
mas que prefere continuar sendo esse detalhe na sua imensidão.