
Não venha como quem busca repouso; venha como quem aceita o movimento.
Esqueça o mapa das saídas de emergência e deixe a porta encostar, sem trancas, mas sem pressa.
Não me queira apenas quando sou porto. Me queira quando eu for deriva, quando o horizonte sumir e o vento soprar contra. O amor não é o que sobra do sol, é o que se acende quando o dia insiste em escurecer.
Não busco a perfeição do brinde, mas a beleza do prato vazio, da louça acumulada e do cansaço que a gente divide no sofá, sem precisar dizer nada.
Quero a calma que a gente inventa no meio do caos, e o caos que a gente enfrenta para manter a calma.
Que o teu "ficar" não seja um peso, mas uma anatomia. Que as tuas mãos conheçam as minhas cicatrizes e as tratem não como feridas, mas como história.
Amar não é o conforto de quem encontrou o que procurava; é a coragem de quem decide parar de procurar porque entendeu que o caminho é quem está ao lado.
Quero a verdade que dói menos que a mentira que protege. Quero o "nós" que se escolhe no cansaço, que se encontra no café requentado e que subverte a lógica do descarte.
Seja o nó que não aperta, mas que também não desata quando o mundo lá fora grita que é mais fácil ir embora.