POESIAS

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VIL

Mas, quando quiser me encontrar ou saber de mim, lembre-se que nunca estive nas frases de efeito ou nas fotografias que sempre recuo por publicar nas redes sociais.
Eu estive dentro das gavetas, nas linhas grifadas dos livros que te dei, mas que você nunca leu.
Estive nas letras das músicas que gritava nos sábados à noite.
Estive nas palavras enfiadas em garrafas, há tanto tempo, lançadas ao mar.
Estive metida em preconceitos. Em surtos. No quadro da casa em chamas.
Mas nunca nos retratos onde procurava meu sorriso. Ou no zoom dado nas fotos por teus dedos nervosos ao procurar por vida em meus olhos. Eu estive nas madrugadas, louca e obsoleta, desenhando no orvalho acumulado nos vidros da janela do meu apartamento. No bolero que dancei contigo à beira do precipício. No abismo de versos e romances bonitos.
Eu estive nas palavras sujas, as quais não são postas em legendas,
na monotonia da rotina. E no vício em açúcar.

Também nessa melancolia – que só se atreve a ser bonita por insistência dos poetas.

Ias Rodriguez Porto Autor Ias Rodriguez Porto MEU PERFIL
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