POESIAS

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Palingenesia

Por mais que tentemos anular toda e qualquer alternativa vã, sempre seremos condenados a pagar pelo preço de nossas escolhas. Oras, não que isto seja totalmente injusto, mas árduo. Aliás, deveria pessoalizar um pouco mais minha escrita; porque falar-me no geral é sempre muito impreciso. E ainda é para mim. Às vezes, sinto que sou uma incógnita que jamais poderá ser descoberta; seja lá por quem for. Ou pior, por mim mesma. E também não aconselharia. Volto a dizer, malditos preços são aqueles das escolhas que fazemos. Uma vez, eu tive a plena certeza de que, quando crescesse (morfético, não?), queria ser só mais uma daqueles profissionais que a sociedade julga necessário; mas percebi que, neste caso, eu estaria me especializando em hipocrisia e cometendo os mesmos erros, aceitando-os. Só que volto a me descobrir e o poder dos egos confunde tudo outra vez. Ah, minhas escolhas, que nem sei se sempre foram só minhas ou se pesam só em mim, mas que sempre apareceram difusa demais sob meus sonhos.

E meus sonhos? Um emaranhado de fios desprendidos, tentando enxergar qual rumo deve seguir; mas que me foge do mundo e me apresenta uma realidade fugaz, limitante à minha imaginação. E me sinto atada, não sei por onde começar, por onde ir, o que fazer. Talvez isso justifique minha acomodação de corpo - e agitação de alma - ou, pelo menos, por partes; isso me torna imune demais para decidir meu próprio futuro.
No fundo, eu sei que a realidade me consome; definharia por inteiro o meu coração. E alimento-me de tantos sonhos e da doce inocência de crer que o mundo está preparado pra mim. Não está, nunca esteve. É, em mim, a ilusão tem-se feito necessária. Sou eu quem sonha demais e sonhar tem-me custado caro.

Eu cresci mais que meu corpo e agora já não sei me sustentar. É de dor-de-alma 
que dia-a-dia morro, ou alimento o mundo ou obedeço o que sinto sem ninguém alimentar.
Me exausto de máscaras que já não caem mais, que moldam minha face e escondem as expressões reais. E me perco. Não sei mais quem sou, só conheço o que deveria ser. E vivo na linha entre o que restou e o que seria certo viver.
As horas e os dias me grudam na pele. Machucam, me queimam.

O tempo me fere.

Iasmim Rodriguez Autor Iasmim Rodriguez MEU PERFIL
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